segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O melhor da temporada 2008

No último texto do ano desta coluna, já sob o agradável clima de festividades e confraternização, uma rápida apresentação do que de melhor rolou no esporte a motor em 2008. Esclareço apenas que a sobre a F-1 já foi discutido o suficiente nas últimas colunas.

MotoGP

Para surpresa de muita gente, Valentino Rossi, já com o estigma de piloto decadente, ressurgiu em 2008 e levou o caneco, superando o atual campeão e favorito ao bi Casey Stoner - mesmo com um equipamento inferior. O ápice da temporada foi visto no lendário circuito californiano de Laguna Seca, quando Rossi e Stoner travaram um duelo memorável. Ill Dottore acabou vencendo a prova por economizar os pneus - foram por causa deles que Casey tombou de sua motocicleta após uma freada, a seis voltas do fim.

NASCAR Sprint Cup

Jimmie Johnson fez história no maior campeonato do automobilismo estadunidense A bordo de seu Chevrolet Impala, o piloto da Hendrick Motorsports faturou o tricampeonato da categoria, feito que apenas outro piloto havia conquistado na história da NASCAR: Cale Yarbrough, nas temporadas de 76, 77 e 78. JJ superou dois pilotos muito cotados para triunfar no campeonato de 2008: Kyle Busch, que se destacou apenas na temporada regular, e Carl Edwards, que mesmo se mostrando bastante competitivo nos playoffs, teve de se contentar com o vice.

IndyCar Series


Após ver seu campeonato cair no conceito dos fãs de automobilismo espalhados pelo mundo, a Indy resolveu tomar providências. E a primeira delas foi fundir-se com a ChampCar para fortalecer um único campeonato - o que, sejamos sinceros, ainda não aconteceu de fato. Diante de uma temporada experimental para a maioria das equipes, quem se deu bem foi um piloto experiente: Scott Dixon, da Chip Ganassi. Embora o título tenha sido decidido apenas na última corrida do certame, Scott foi soberano em 2008. Helio Castroneves, Dan Wheldon e Tony Kanaan, os outros postulantes ao título, nem chegaram a pressionar o neozelandês.

GP2


Pela primeira vez em quatro anos, o campeão desta emocionante categoria não será congratulado com uma vaga na F-1 no ano seguinte. Seria este um sinal de retrocesso? Provavelmente não. Giorgio Pantano levou o troféu em 2008 por mostrar-se competente e saber desenvolver o carro da Racing Engineering. Entretanto, o italiano não é lá tão jovem, algo que não trouxe interesse para as equipes da F-1. Pode-se dizer também que Pantano não teve adversários a altura, já que Bruno Senna ainda não é um primor em constância, Lucas di Grassi iniciou o certame no meio da temporada e Romain Grosjean era apenas um estreante.

A1GP

Já que o seu calendário é seguido de acordo com o verão europeu, na contramão dos tradicionais campeonatos, a A1GP entra em recesso de fim de ano tendo apenas a metade de sua temporada disputada. A Suíça, atual campeã, ocupa somente a 7ª colocação na tabela, enquanto quem ponteia é a Irlanda, comandada pelo sempre competente Adam Carroll. Portugal, vejam só, é o 2º colocado.

Superliga

Contrariando a opinião de muita gente, o torneio em que seus carros representam clubes de futebol do mundo todo saiu do papel. Ainda que não tenha engrenado, a categoria já tem uma temporada encerrada, onde o campeão foi, sim, o Beijing Guoan, pilotado por, pasmem, Davide Rigon. A SL contou com algumas figurinhas carimbadas em sua temporada inicial, como Robert Doornbos e Antonio Pizzonia. Apesar disso, não tem um cenário de forças muito bem dimensionado: foram oito vencedores diferentes nas dezesseis baterias da temporada 2008.

DTM

No ano de despedida de Bernd Schneider das pistas, quem fez a festa no Deutsche Tourenwagen Masters (considerado por muitos o campeonato de carros de turismo mais competitivo do planeta) foi Timo Scheider, da Audi. Até a última etapa do certame, em Hockenheim, Paul di Resta, da Mercedes, um escocês muito talentoso, tinha chances matemáticas de faturar o título de 2008. Porém, com uma vitória que quase o levou aos prantos, Scheider sagrou-se o campeão.

WTCC

Regularidade foi a principal característica de Yvan Muller, o campeão do World Touring Car Championship em 2008. O francês completou todas as baterias da temporada, sendo apenas duas delas fora dos pontos. Quanto às montadoras, quem deu as cartas neste ano foi a SEAT, que não só emplacou o campeão da categoria, Muller, mas também o vice - Gabriele Tarquini. Já os alemães provaram do amargo gosto da decepção, já que o melhor piloto da BMW na tabela de classificação foi o tricampeão Andy Priaulx, ocupando apenas a 4ª colocação.

WRC

Não há muito que comentar. O agora pentacampeão Sebastien Loeb, com seu inconfundível Citroën C4, dominou, de maneira absoluta, a edição de 2008 do Mundial de Rali, vencendo onze das quinze etapas disputadas (recorde no WRC) e cravando ainda mais seu nome como um dos grandes da história dos ralis - senão o maior. Eu diria que é um gênio. Pilotos de rali de alto nível já têm o meu respeito. Os que se sobressaem e ainda monopolizam algum campeonato devem ser exaustivamente elogiados. Ergam um busto para Loeb!

Copa Nextel Stock Car

Numa temporada em que a experiência e a competência do chefe de equipe Andreas Mattheis fizeram a diferença, Ricardo Mauricio e Marcos Gomes travaram um bom duelo na luta pelo título. Com o abandono de Gomes na última etapa, em Interlagos, o campeonato ficou nas mãos de Ricardinho, que talvez merecesse alguma chance numa categoria européia ou norte-americana. Cacá Bueno, surpreendentemente, não foi tão forte como nos últimos anos, e Thiago Camilo novamente ‘morreu na praia’. Há de se destacar as boas temporadas de Giuliano Losacco, Átila Abreu e Allam Khodair. E claro, a despedida do multicampeão Ingo Hoffmann das pistas, um dos melhores pilotos da história do automobilismo brasileiro.

Campeões pelo mundo

Abaixo, os vencedores da temporada de 2008 de outras categorias. Em asterisco, torneios ainda em andamento.

250cc - Marco Simoncelli (ITA)
125cc - Mike de Meglio (FRA)
Superbike - Troy Bayliss (AUS)
P-WRC - Andreas Aigner (AUT)
J-WRC - Sebastien Ogier (FRA)
F-3 Européia - Nico Hulkenberg (ALE)
F-3 Inglesa - Jaime Alguersuari (ESP)
F-3 Alemã - Frederic Vervisch (BEL)
F-3 Japonesa - Carlo van Dam (HOL)
F-3 Espanhola - German Sanchez (ESP)
F-3 Italiana - Mirko Bortolotti (ITA)
F-3 Sul-Americana - Nelson Merlo (BRA)
GP Macau - Keisuke Kunimoto (JAP)
Ultimate Masters - Jules Bianchi (FRA)
F-Renault Inglesa - Alexander Sims (ING)
F-Renault Italiana - Pal Varhaug (NOR)
EuroCup FR - Valtteri Bottas (FIN)
F-BMW (Final Mundial) - Alexander Rossi (EUA)
F-Ford Inglesa - Wayne Boyd (ING)
Skip Barber - Conor Daly (EUA)
F-Atlantic - Markus Niemela (FIN)
F-Star Mazda - John Edwards (CAN)
Indy Lights - Raphael Matos (BRA)
F-Master - Chris van der Drift (NZE)
Euro 3000 Series - Nicolas Prost (FRA)
World Series by Renault - Giedo van der Garde (HOL)
F-Nippon - Tsugio Matsuda (JAP)
GP2 Asiática* - Kamui Kobayashi (JAP)
Speedcar Series* - Vitantonio Liuzzi (ITA)
FIA GT (GT1) - Andrea Bertolini (ITA) / Michael Bartels (ALE)
FIA GT (GT2) - Gianmaria Bruni (ITA) / Toni Vilander (FIN)
FIA GT3 - Arnoud Peyroles (FRA) / James Ruffier (FRA)
BTCC - Fabrizio Giovanardi (ITA)
V8 Supercars - Jamie Whincup (AUS)
TC2000 - José Maria Lopez (ARG)
NASCAR Nationwide - Clint Bowyer (EUA)
NASCAR Craftsman - Johnny Benson (EUA)
LMS (LMP1) - Alexandre Premát (FRA) / Mike Rockenfeller (ALE)
LMS (LMP2) - Jos Verstappen (HOL)
LMS (GT1) - Guillaume Moreau (FRA) / Patrice Goueslard (FRA)
LMS (GT2) - Robert Bell (ING)
24h Le Mans - Allan McNish (ESC) / Rinaldo Capello (ITA) / Tom Kristensen (DIN)
ALMS (LMP1) - Lucas Luhr (ALE) / Marco Werner (ALE)
ALMS (LMP2) - Timo Bernhard (ALE) / Romain Dumas (FRA)
ALMS (GT1) - Johnny O’Connell (EUA) / Jan Magnussen (DIN)
ALMS (GT2) - Jorg Bergmeister (ALE) / Wolf Henzler (ALE)
24h Daytona - Juan Pablo Montoya (COL) / Dario Franchitti (ESC) / Scott Pruett (EUA) / Memo Rojas (MEX)
Grand-Am - Scott Pruett (EUA)
GT3 Brasil - Xandy Negrão (BRA) / Andreas Mattheis (BRA)
F-Truck - Wellington Cirino (BRA)
Race Of Champions - Sebastien Loeb (FRA) / Team Germany (ALE)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Direto do cockpit

Antes de mais nada, inauguro a sessão ‘Direto do cockpit’, espelhada na ‘Direto do paddock’, onde relato minhas aventuras e peripécias ao volante em corridas de kart. O texto abaixo remete à II Copa Saúde 4 Horas de Kart Cidade de Londrina, realizada no último final de semana. Lá vai:

A vida é imprevisível. Aprendi isso no domingo passado (14).

Tudo passou tão rápido. Parece que era ontem que a gente falava, um para o outro, ‘nossa, preciso me preparar! Faltam só três semanas para a corrida!’.

Corrida (amadora) esta, que seria a primeira do pequeno e modesto currículo do colunista: a II Copa Saúde 4 Horas de Kart Cidade de Londrina. Foram utilizados karts com motores 13hp sorteados por um único preparador, no caso, o Marquinhos. O chassis escolhido ficava a critério de cada equipe, que poderia contar com dois, três, ou até quatro pilotos. Cada um dos participantes deveria percorrer, na prova, um mínimo de 60 voltas, e, junto ao kart, pesar 180 kg ou mais. Em suma, o regulamento era este.

A minha equipe (denominada carinhosamente de 'Os Persistentes'), formada por três ‘novatos’ - o Lucas do Valle, meu tio, Carlos José da Costa Branco, e eu - e um cara mais experiente - o Flávio Merenciano -, tinha boas pretensões na corrida. Não exigíamos de cada um que buscasse a vitória, mas estar entre os dez primeiros (de dezoito karts) era uma meta bastante alcançável. Tudo ocorria dentro da normalidade. Durante a semana, fui treinar em quase todos os dias, para me adaptar ao chassis, e providenciamos o que deveria ser providenciado.

Surge o primeiro imprevisto: pude experimentar o kart com as desagradáveis pedras de chumbo e seus pesados 27 quilos apenas na sexta-feira (sem elas, eu não atingiria os 180 kg). Não digo que foi uma maravilha, mas não era tão ruim como eu pensava. Os tempos estavam um pouco altos, mas foi questão de tempo para que eu conseguisse melhorá-los.

Das diversas coisas que pensei na sexta à noite, quando eu deveria estar dormindo, algo que eu não conseguia fazer, era que eu tinha a sensação de que fizemos algumas coisas de última hora. A ausência de um preparador que pudesse atender exclusivamente às nossas necessidades também passou pelas minhas filosofias. Porém já era tarde. O que já foi fica na lembrança. Eu tinha de pensar no amanhã. E no depois de amanhã. Só. Confesso que eu estava concentrado, ao ponto de não conseguir me relaxar nas horas de folga. Mas, apesar de tudo, eu estava otimista.

E chegou o primeiro dos dois tão esperados dias. Sábado, sol forte. Daqueles que fazem você reclamar do calor até o anoitecer. Fui o primeiro da equipe a chegar no Kartódromo. Deveria ser umas dez horas. Do celular, o Flávio me instrui que não iríamos para a pista naquele período. Era preciso acertar o kart. Ele ainda não estava na mão. E poupar pneus também seria uma escolha interessante.

Algumas horas se passaram, solucionamos parte do problema, e já era hora de abastecer nossos exigentes estômagos. Antes do almoço, onde eu literalmente engoli a comida, de tanta pressa, ainda tive de comprar uma sapatilha, requinte este do qual eu não usufruía. Eu era um dos poucos pilotos que corria de chuteira. Na raça. E o Zé Barone me alertou quanto a isto. Se os caras da Federação me pegassem sem as aveludadas sapatilhas, ia sobrar pra mim.

Hora de voltar pro Luigi Borghesi Resort and Hospitality Kart World Center. Chegamos um pouco atrasados, eu, meu pai e meu tio. O Flávio estava na pista. Fui informado de que ele o Lucas já haviam arrumado o kart, deixando-o menos dianteiro. Dali a algum tempo, seria a minha hora de acelerar. Estava, eu, meio quieto, sem falar muita coisa. O pessoal percebeu isso. Bateu o frio na barriga.

Ali eu percebi que a pior parte, em ocasiões relevantes como esta, é os poucos minutos que antecedem à ida pra pista. Eu me sentia um pouco nervoso, tenso. Mas quando desviei dos pneus e dos cones e subi em direção a segunda reta do traçado, fiquei mais tranqüilo. Andei o ano inteiro naquela pista, não era nenhuma novidade para mim. Os tempos foram razoáveis até. Boas notícias.

Ainda deu tempo de ensaiar a entrada no box (em toda a oportunidade que algum piloto retornasse ao local, durante a corrida, teria de passar por uma balança de pesagem, e isso envolve todo um processo de desligar o motor em tal ponto, frear antes da linha branca, etc) e, para minha surpresa, participar da gravação de um vídeo. Treino encerrado, já estava guardando meu macacão, quando o Julião LG me convida: “Tem um cara que tem uma câmera no kart, e ele queria gravar uma disputa entre dois pilotos. Tem que ser meio ensaiado. Não acelera muito. Só liberaram por duas voltas.”. Foi tudo tão corrido que eu não sei se deu muito certo. Depois eu tento ver como ficou.

Antes de partir, tínhamos de resolver alguns pequenos empecilhos, como encaixar melhor meu banco (eu era o único que tinha um banco próprio, devido à minha estatura), inserir as pedras de chumbo de maneira adequada, confirmar a estratégia e coisas do tipo.

O fim do dia estava próximo. O lar nos chamava. Dormi.

Acordei.

Mal podia eu imaginar que aquele momento, um dos mais aguardados dos meus treze anos de vida, estava muito próximo de acontecer. Foram tantas as alegrias, as decepções, as vezes em que eu fiquei puto e as vezes em que eu rascunhava na minha cabeça como seriam as minhas corridas.

Enfim, não era hora de lero-lero. Se tinha alguma coisa que eu realmente estava naquele dia era focado, palavra esta, aliás, que está na moda. Chegamos cedo ao Kartódromo, afinal, tinha de ser feito o warm-up, o briefing, a tomada de tempo, o almoço e a digestão, tudo isso, antes das 13h30, quando começaria a corrida.

Nem vi o resultado do warm-up, só sei que o único encarregado de botar o #46 na pista foi o Flávio. A organização ainda fez o favor de cortar meia-hora de treino para fazer o briefing, algo que deveria ter sido agendado e comunicado com antecedência. Bom, deixa pra lá.

Na reunião dos pilotos com os ‘homi’, instruções, discussões (no bom sentido) e uma pequena dose de polêmica. Acabou que a largada foi alterada, de estilo ‘Le Mans’ para lançada. De resto, nada de muito importante a ser registrado.

Estava no regulamento: o piloto da equipe que fizesse a tomada classificatória teria, também, de largar. A nossa opção por colocar o Flávio pra começar era uma faca de dois gumes: por ser o mais pesado dos quatro pilotos, o tempo provavelmente não viria. Em compensação, sua experiência seria de extrema importância para que acidentes ou outro tipo de entrevero fossem evitados.

E a nossa perspectiva foi confirmada: 14º tempo. Sem problemas.

De almoço, apostei em um estupendo salgado de frango que frustrou minhas expectativas. Mas o importante mesmo era me hidratar com muita água. E isso eu fiz bem, vide a conta que meu pai teve de acertar no bar.

O ponteiro dos relógios brasilianos não falhava: já era ‘uma e meia da tarde’. Largaram. Nenhum acidente foi registrado. Mantivemos a nossa posição de partida: 14º.

Estava tudo sob controle. Oscilamos um pouco, mas era mais ou menos entre a 12ª, 13ª posição que, após sessenta e poucas voltas, o equipamento foi entregue para o próximo herói de nossa missão: meu tio. Quanto aos líderes e a outras posições específicas, reconheço que minha falha memória não quer se recordar.

Vale ressaltar que cada equipe teria de cumprir, obrigatoriamente, um pit stop de quinze minutos ou dois de sete minutos e meio. No nosso caso, escolhemos a segunda opção - e ainda teríamos de fazer uma entrada extra para que todos os quatro pilotos pudessem andar. A parada mais rápida foi logo a primeira. Acho que não houve nada de errado.

Sobre o meu tio, uma observação: ele havia andado muito pouco durante os preparativos para a corrida, e ele mesmo desconfiava que não agüentaria sessenta voltas seguidas. Mas ele, brava e heroicamente, conseguiu.

Após alguma pequena dificuldade para sinalizar ao piloto que ele deveria entrar no pit, fizemos nossa primeira parada obrigatória de sete minutos e meio. E o Lucas, na minha opinião quem mais poderia colaborar com a equipe, foi o próximo encarregado de comandar #46.

E ele mandou bem, estávamos subindo na classificação. Senão me falha a memória, nosso kart já ocupava a 10ª colocação (chegamos a andar em 4º ou 5º quando alguns karts estavam nos boxes), quando eis que um fato, com o perdão do clichê, lamentável, aconteceu por aquelas bandas.

Tudo começou quando o #89, pilotado por três senhores (se é que se pode dar a eles esse tipo de tratamento) que não me convém citar o nome agora, foi desclassifcado por atitude antidesportiva.

Coisa de macaco velho, de quem é ruim de braço e precisa pancar todo mundo pra tentar alguma coisa. Inclusive o meu tio foi atingido por trás por um desses cidadãos numa manobra que poderia ser facilmente evitada.

Mas aí o piloto entrou no box e, sem titubear, resolveu voltar pra pista, quando já havia tomado bandeira preta e deveria mesmo era sossegar o rabo. Nisso, já com aquele clima de tensão nos boxes, foi dada a bandeira vermelha, para que ele pudesse se retirar.

Após descer do kart, o sujeito e a sua equipe saíram peitando todo mundo, desde o cidadão que alugou o kart para eles até uma amiga dos pilotos. Enfim. Aí a confusão já tinha se generalizado.

A polícia militar, após alguma alma caridosa ter recorrido aos seus serviços, não tardou a chegar e pôs ordem na casa. Era mais do que necessário, já que ficou evidente que os seguranças não tinham punho para apartar a briga.

Um dos pilotos do kart #89, o mais velho, já que o outro era menor de idade, foi para a delegacia. Acompanhado de quem? Do Flávio e do meu tio! Não podiam levar alguém de outra equipe, não?

No meio disso tudo, a corrida já havia sido parada, e os pilotos que estavam na pista deveriam estar mais perdidos que cachorro em dia de mudança. Fui até lá para contar ao Lucas o que aconteceu. Deveríamos repensar a estratégia, dependendo do que fosse acontecer pelo restante da prova.

Briga encerrada, surge mais uma péssima notícia: um piloto, o Mamão, que havia deixado seu kart ainda na pista, foi atropelado por um concorrente e fraturara a perna. Que dia.

Dali em diante até a decisão do que seria do restante da corrida foi mais um parto, algo em torno de uma hora. Chegou-se a confirmar que a prova seria encerrada ali, já que muita gente fez as suas paradas durante bandeira vermelha e algumas equipes seriam beneficiadas. Mas acabou que um grupo de pilotos anunciou, após uma breve reunião, que a corrida teria, sim, prosseguimento. Porém, em vez de 20 minutos (o que sobrou das quatro horas, contando com o período em bandeira vermelha), o público teria a chance de ver mais uma hora de disputa.

Tendo que cumprir ainda mais uma parada obrigatória e com dois pilotos na delegacia (!), o que seria da nossa equipe? Eu estava apreensivo, mas o Lucas me tranqüilizou. Combinamos então que ele andaria em torno de quinze a vinte minutos até entrar, e seria a minha vez.

Pode ter sido apenas um estalo, mas eu tive a sensação de estar mais forte, mais confiante. Parece que eu cresço nessas ocasiões. Não é a primeira vez que eu percebo isso.

Para nossa felicidade, meu tio e o Flavio chegaram são e salvos da delegacia, a tempo de nos ajudar na parada. Precisaríamos encher o tanque e pôr o lastro. Em relação aos pneus, resolvemos não trocá-los.

Mas para nossa, e mais precisamente, minha infelicidade, o Lucas retornou aos boxes duas voltas antes do previsto. E já sinalizava, com os braços, que acabou. Eu não acreditava. Disse ele que o freio já não era mais existente, pois ele quase se acidentou com outro piloto, tendo que passar reto numa curva.

O que fazer? Depois de uma precisa e breve discussão, ficou decidido: iríamos tentar arrumar o #46, que também tinha a sua direção bastante avariada. A corrida, que ficara bastante promissora, foi pro saco. Perdemos no mínimo uns quinze minutos nos boxes, consertando o kart, com a única finalidade de me pôr na pista. Naquela hora, a satisfação de apenas participar foi maior que a de ganhar, afinal, se a corrida mesmo acabasse ali, eu encerraria minha participação nas 4 Horas sem sequer sentar no kart. E é aí que eu quero agradecer a todos que botaram a mão na massa e colaboraram com este feito: meu pai, meu tio, o Flávio, o Gabriel, o Lucas, o Newton e o Fábio. Me alertaram por diversas vezes que era para eu tomar cuidado, que se o freio não estivesse funcionando, era pra retornar pros boxes, etc e tal.

Faltava menos de meia hora para o término da prova. Sentei no kart. Meu pai o empurrou, até a linha onde o motor tem de ser ligado. Tudo pronto. Meu pai dá o já tradicional tapinha no capacete e eu acelero. Chegou a minha hora. Como tinha dito o Fábio, eu teria de correr para curtir, porque resultado, naquela hora, não era a meta principal.

Os freios estavam ok, mas a direção me traía nas freadas. Além de sair de frente, por conta do desgaste dos pneus, o volante não estava firme. Em curvas de baixa, quando eu metia o pé no freio, ele tremia muito. Enfim, fui ultrapassado por quatro karts, todos eles, claro, dando uma volta no mané aqui.

Mas aí a minha corrida acabou de maneira prematura. Minha participação nas 4 Horas se encerrou em cerca de 15 minutos.

Ao me ultrapassar, o Franchello, que liderava a prova, encontrou pela frente um kart que aparentava estar bastante lento. Eu estava logo atrás dos dois, quando, na curva do U, este outro kart freiou muito antes, colidindo-se com o Franchello. Este acabou rodando, e aí sobrou pra mim.

Enchi em cheio a carenagem do Franchello, já que eu ainda estava em plena aceleração. Na hora já dava pra perceber que as esperanças morreram por ali. Tentei ao menos levar a criança até aos boxes, mas, ao descer lentamente o Bacião, a roda quebrou e foi parar embaixo da minha perna. Encostei no canto da pista. Só me restou lamentar.

Graças a Deus entenderam que a culpa no acidente não foi minha, fui uma vítima. Eu não queria ficar com o peso de ter batido logo na primeira corrida. Inclusive, ao chegar da pista, meu tio disse que eu estava andando bem (embora ele tenha sido um pouco generoso nos elogios) e me parabenizou pela estréia. Fiquei feliz.

Enfim. Quanto a corrida, quem acabou vencendo foi a equipe Nipo Racing Team, formada pela dupla Luizinho-Aldo, que foi crescendo ao longo da prova. Mais que merecido, consolidando a hegemonia oriental no nosso glorioso Kartódromo de Londrina.

Após o encerramento da corrida, principalmente via e-mail, vários pilotos contestaram o resultado da prova, alegando que algumas equipes se beneficiaram por não terem cumprido as paradas obrigatórias. A polêmica não teria acontecido se a Federação Paranaense de Automobilismo, supervisora da prova, tivesse feito um trabalho competente na corrida. Eu duvido que a maioria dos comissários sequer leu o regulamento, já que eles não conseguiram sanar algumas dúvidas minhas. Além disso, ouvi por aí que a direção de prova não tinha o controle de quem fez e quem não fez os pit stops obrigatórios. Providências, por parte da FPrA, têm de ser tomadas. O pior dos cegos é aquele que finge não ver.

Em tempo (1): até onde eu fui informado, um dos sujeitos do #89, o mais velho, poderá ser proibido de pisar em qualquer Kartódromo ou Autódromo do país.

Em tempo (2): Mamão, após passar por cirurgia, já está em fase de recuperação.

Agora, apesar de tudo, valeu a pena. Achei um tesão participar de uma corrida oficial, não só pelo prazer de pilotar, mas também por todo aquele clima que nos cerca às vésperas da prova.

Vou fazer isso mais vezes.

Outras informações sobre a II Copa Saúde 4 Horas de Kart Cidade de Londrina podem ser encontradas nos seguintes sites:

www.folhadelondrina.com.br
www.gravidadezero.com.br
www.kartlondrina.com.br

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O melhor da F-1 2008

Como já é de praxe, depois de uma das grandes temporadas que a F-1 já viu, chegou a hora das tradicionais listinhas de fim de ano, essenciais para passar a régua no que foi visto no campeonato. E aí, concorda com as escolhas?

Besteira do ano

Começamos pela categoria mais indesejada. Hamilton, ao encher a traseira de Kimi Raikkonen em pleno pit lane no GP do Canadá, até tentou. A Ferrari, com seu mal-sucedido pirulito eletrônico nas ruas de Cingapura, se superou. Mas o dono deste troféu, indiscutivelmente, é Max Mosley, presidente da FIA, que com seu apelo nazista, conquistou uma meia-dúzia de prostitutas britânicas.

Melhor corrida

Como há algum tempo já não se via, 2008 protagonizou uma temporada repleta de corridas emocionantes na F-1 - exemplos de Austrália, Mônaco, Canadá, Itália, Bélgica, Cingapura, Japão, entre outros. Mas a que inegavelmente entrou para a história foi o GP do Brasil, onde o campeonato teve seu desfecho definido na última volta, mais precisamente na subida da Junção. Inesquecível. Inexplicável.

Melhor desempenho

Lewis Hamilton sabe se sobressair nas chamadas ‘corridas malucas’, como foi o caso dos GPs da Austrália e da Inglaterra. Felipe Massa, a partir do segundo terço do campeonato, também dominou algumas provas, a exemplo dos GPs do Bahrein, Europa e Brasil. Mas quem leva o prêmio desta categoria é o surpreendente Sebastian Vettel, com sua atuação impecável em todo o final de semana do GP da Itália, em Monza.

Melhor ultrapassagem


Hamilton sobre Raikkonen, em Spa. Menção honrosa às manobras de Massa sobre Kovalainen e Barrichello, no Canadá, e de Heidfeld sobre Alonso e Webber, na Malásia.

Acidente do ano


Felizmente, 2008 não proporcionou grandiosos acidentes, nem plástica e nem drasticamente. A colisão que poderia ter causado alguma preocupação foi a de Heikki Kovalainen, no GP da Espanha.

Herói sem glória

Apesar do talento, da dedicação e dos resultados recentes (os números provam: ele foi superior a Button em 2008, conquistando inclusive um heróico pódio para a Honda), Rubens Barrichello pode deixar a F-1 pela porta dos fundos e pendurar o capacete. Sem dúvida, é um final de carreira melancólico, o do piloto brasileiro.

Surpresa do ano


Foram muitas. Para se ter uma idéia, 14 dos 20 pilotos subiram no pódio nesta temporada, o que é um número bastante convincente. Além disso, tivemos três corredores que obtiveram a primeira vitória em 2008: Kubica, Kovalainen e Vettel. E é para este último que vai o troféu de surpresa do ano. Vencer de ponta a ponta em Monza com uma Toro Rosso aos 21 anos de idade não é das tarefas mais fáceis.

Decepção do ano

Nelsinho Piquet, com alguma disparidade. Apesar da 2ª colocação em Hockenheim e do 4º lugar em Fuji, Piquet Jr mostrou-se um tanto quanto imaturo neste campeonato, cometendo muitos erros infantis e sendo muito irregular. Precisa se motivar mais para melhorar seus resultados em 2009.

Melhor equipe

Apesar do constante problema com o aquecimento de pneus, a Ferrari perece ter tido mais carro. Entretanto, os comandados de Maranello se perderam inteiramente com relação a estratégias e alguns incidentes nos boxes. Algumas corridas foram perdidas neste quesito, como em Mônaco e em Cingapura - e isto determinou o rumo de Felipe Massa no campeonato.

Top 10: Os melhores pilotos da temporada

10) Sébastien Bourdais (Toro Rosso)
9) Jarno Trulli (Toyota)
8) Heikki Kovalainen (McLaren)
7) Nick Heidfeld (BMW)
6) Kimi Raikkonen (Ferrari)
5) Sebastian Vettel (Toro Rosso)
4) Robert Kubica (BMW)
3) Fernando Alonso (Renault)
2) Lewis Hamilton (McLaren)
1) Felipe Massa (Ferrari)

Um sonho que virou pesadelo

A coluna estava quase fechada quando surge o boato: a Honda estaria fora da F-1? Sim, e este boato foi confirmado nesta sexta-feira pelo próprio presidente da empresa, Takeo Fukui, no Japão. Para o paddock, foi um baque, uma bomba, considerado por muitos a notícia do ano.

A justificativa pela ausência na categoria, segundo Fukui, é a crise econômica mundial, que prejudicou a empresa nipônica principalmente no mercado norte-americano - foi por lá que a companhia sofreu um decréscimo de 32% no número de vendas.

Com isso, Jenson Button, Rubens Barrichello, Bruno Senna e Lucas di Grassi estão, por enquanto, desempregados. A Petrobras, que a partir de 2009 passaria a ser a fornecedora de combustível para a equipe, teve seu contrato rasgado, jogando por água abaixo um ambicioso projeto da estatal brasileira.

São mostras claras de que a crise já afetou o esporte. Mais especificamente, o automobilismo. Há quem diga que a Toyota, outra montadora, possa tomar o mesmo rumo da sua principal concorrente.

E agora? 18 carros no grid? O que vai ser da categoria? As montadoras vão mesmo deixar a F-1? Seria a volta, para felicidade do colunista, das garagistas?

Para quem encerrou 2008 tão bem, 2009 nem começou e Bernie Ecclestone terá que mexer seus pauzinhos para resolver grandes problemas.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pensando em 2009

Resolvidos todos os afazeres, cá estou novamente, após algum tempo sem escrever.

Como de costume, a temporada mal acabou e as equipes já colocam a mão na massa para acertar os carros do campeonato seguinte. E, sabido que a Fórmula 1 passará por grandes novidades e profundas reformulações em seu regulamento técnico em 2009, o trabalho destes últimos meses parece ser mais intenso.

Dentre estas embarcações, a que mais causa dor de cabeça aos engenheiros é o KERS (Kinetic Energy Recovery System), apetrecho que é opcional para os carros da próxima temporada, mas pode se tornar um amuleto para quem o utiliza. Para quem não sabe, o KERS é um cilindro onde se armazena a energia gasta nas frenagens e transforma esta mesma energia em mais potência no motor - mais precisamente falando, um ganho de cerca de 80 hp.

O grande problema é que o cilindro pode pesar até 60 kg, e ele, obrigatoriamente, deverá ser instalado na parte traseira do bólido - onde já se encontram o motor e o tanque de combustível. Aí é que mora o problema: o que fazer para balancear o peso dos carros? A turma da prancheta está procurando as melhores respostas.

Além disso, em torno de 30% do downforce dos carros vai ser exilado por conta da restrição daqueles horrorosos penduricalhos que nos últimos anos decoravam os modelos. Esta ausência, no entanto, será recompensada com a volta dos pneus slick, muito comemorada pelos mais saudosos.

Tudo isso para que, é o que todos esperam, seja mais fácil ultrapassar na F-1. Alguns já disseram que essas mudanças não surtirão tanto efeito, mas o que vale é a tentativa. Se pelo menos puderem repetir as cenas da temporada de 2008, quando o campeão foi definido na penúltima curva, já está de bom tamanho.

Mercado quase fechado

Enquanto isso, nos bastidores, vive-se na categoria uma temporada fraca em termos de mercado de pilotos. Com a iminente confirmação da permanência de Fernando Alonso na Renault, aos poucos, as portas vão se fechando. As duas únicas equipes que ainda têm vagas em aberto são Toro Rosso e Honda (há quem diga que Pedro de la Rosa possa tomar o lugar de Giancarlo Fisichella na Force India, mas isso seria muita sacanagem com o esforçado italiano).

Na escuderia de Faenza, a situação parece ser um pouco menos complexa. Depois dos testes de Barcelona, onde Sébastien Bourdais, Takuma Sato e Sébastien Buemi foram avaliados, um dos cockpits começa a inclinar para este último, integrante do programa de pilotos da Red Bull e queridinho de Dietrich Mateschitz. A vaga restante deve sobrar para quem vier com patrocínio. Pagou, levou. Bourdais e Sato já admitiram que não tem tal poder aquisitivo, mas é um dos dois que deve ficar com a vaga, embora Bruno Senna e Rubens Barrichello podem aparecer de surpresa.

Falando nisso, são esses dois, junto com o também brasileiro Lucas di Grassi, que batalham veementemente por um dos carros da Honda - o outro já é de Jenson Button. Rubens parecia ser carta fora do baralho, porém, com sua experiência e dedicação, ainda tem chances. Di Grassi agradou, mas quem surpreendeu mesmo foi Bruno Senna, que não fez feio em sua primeira experiência com um F-1.

E já que pouca gente falou nisso, vale a pena lembrar: pela primeira vez o campeão da GP2 não fará parte da F-1 no ano seguinte, como é o caso de Giorgio Pantano, que deve ter algum campeonato renomado de turismo como destino.

Ressalta-se, então, que faltam equipes e sobram pilotos na categoria. Já não é de hoje que os fãs reclamam que deveria haver mais carros no grid. Vá entender Bernie Ecclestone.

Já foram os tempos em que corredores do naipe de Domenico Schiattarella, Jean Denis Deletraz, Taki Inoue e Philippe Adams aceleravam um Fórmula 1...

Colaborou Thiago Arantes

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Nunca vi nada igual

Quem esteve em Interlagos neste último domingo vai poder contar para seus filhos e netos que viu a decisão mais fantástica da história da Fórmula 1.

Hamilton, ao ultrapassar o coitado do Timo Glock a poucos metros da bandeirada, viu-se campeão depois de estar, também a poucos metros, do que para ele seria uma grande tragédia: a perda do título mundial.

O que mais impressiona é que tudo conspirava contra o britânico: a torcida apoiando Massa, o fato de o campeonato ter escorregado de suas mãos também em 2007 e os próprios colegas de trabalho terem declarado publicamente estarem insatisfeitos com a conduta agressiva de Lewis dentro da pista.

Confesso que desencantei meu espírito patriota e torci bastante por Felipe durante estes dias. E, com o resultado final da prova, meus sentimentos se misturaram entre decepção e incredulidade. Mas acho que no fundo isso foi bom, porque, depois de bastante tempo, a categoria voltou a cativar seu torcedor. Não vivenciei os tempos de Ayrton Senna - por não estar nem vivo na época - mas a festa feita em Interlagos durante todo o final de semana foi maravilhosa.

E quem ganhou em 2008, acima de tudo, foi a própria Fórmula 1.

Pausa para respirar

Ainda nesta semana, mais sobre Fórmula 1 na coluna. Até breve.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Direto do paddock (2)

O automobilismo brasileiro nunca viu nada parecido. Embora tem quem queira criticar este nobre campeonato, a Copa Nextel Stock Car vive seus momentos de glória. Pude conferir a categoria de pertinho na etapa de Londrina.

Já tinha tido a oportunidade de assistir à Stock, mas confesso que 2008 foi o ano mais bem sucedido. Consegui duas credenciais (com direito a visitação aos boxes e camarote), uma minha e a outra para o meu tio.

A programação, estabelecida pela Rede Globo, era uma das piores possíveis. Não vi os treinos, disputados em dia de semana e no período da manhã, e tive que perder uma prova do meu colégio para acompanhar a corrida, no último sábado, às 10h15 locais. Mesmo com este fator negativo, o público (cerca de 22 mil pessoas) compareceu em peso ao autódromo Ayrton Senna, em Londrina.

Cheguei, sem maiores problemas, em pleno horário de circulação no paddock, faltando pouco menos de meia hora para a abertura dos boxes. Creio que aproveitei ao máximo minha credencial. Brindes, autógrafos e fotos de um ambiente fantástico. Se um dos objetivos da organização é tratar bem seu espectador, acertaram em cheio. Das minhas aquisições, destacam-se um boné da RC Eurofarma, um Red Bulletin, um guia da Copa Nextel, adesivos da Texaco, um kit de montar um carrinho de papel da Goodyear, banners de Átila Abreu e Daniel Serra e autógrafos de Guto Negrão, Lico Kaesemodel, Átila Abreu e Giuliano Losacco.

Evidentemente, a equipe mais badalada era a de Rosinei Campos, onde todos queriam ver Cacá Bueno (este por sua vez, que conduziu um carro promocional da categoria por algumas ruas da cidade na quarta-feira). Antes de subir para os camarotes, ainda consegui fazer com que o locutor da categoria, uma figuraça, mandasse um abraço para ‘o pessoal do kart de Londrina’.

Meu camarote era o da Nutribless, fornecedora alimentícia das equipes. Por conta disso, nada a reclamar com relação aos comes e bebes, maravilhosos. É fato que a localização não é das melhores - só se pode ver as duas retas do circuito. Por conta disso, a TV foi bastante útil.

Nada que possa atrapalhar uma manhã de sábado inesquecível. A badalação do paddock, o conforto do camarote e a emoção de ver aqueles carros magníficos, donos de um motor ensurdecedor, cruzando a reta oposta, já fazem de qualquer dia um grande dia.

A prova


A corrida da V8 não foi das mais emocionantes em Londrina, algo que não é surpresa para ninguém - o estreito, porém técnico circuito, não oferece pontos de ultrapassagem. Thiago Camilo venceu de ponta a ponta, tendo um renovado Giuliano Losacco em segundo, completando a dobradinha da Texaco. Allam Khodair faturou a terceira posição, após resistir aos ataques de Ricardo Mauricio, Ingo Hoffmann, Marcos Gomes e Popó Bueno.

Playoffs

O resultado está sob júdice (leia mais aqui), mas, por enquanto, os dez classificados para a fase final da categoria são: Marcos Gomes, Ricardo Maurício, Thiago Camilo, Cacá Bueno, Valdeno Brito, Allam Khodair, Átila Abreu, Giuliano Losacco, Alceu Feldmann e Luciano Burti.

Stock Jr


Depois dos embates da V8, o público ainda pôde presenciar a corrida da Stock Jr. Vi a largada na arquibancada do oval, mas acompanhei o restante da prova no kartódromo. Paulo Salustiano não teve dificuldades para vencer a prova, que contou com apenas doze carros no grid. O destaque negativo fica por conta da segurança. Fiquei sentado na mureta que antecede a barreira de pneus para ver os carros mais de perto e não sofri nenhuma advertência que não seja do meu tio.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A boa e velha Spa

Spa-Francorchamps é unanimidade no paddock da Fórmula 1. Tradicional e desafiadora, a simpática estrada que liga estas duas cidades belgas proporciona, quase que todo ano, corridas imprevisíveis.

Um pressionado Kimi Raikkonen, contra um ascendente Felipe Massa, que tentava diminuir a vantagem de um amadurecido Lewis Hamilton. Era o cenário que se rascunhava para o GP da Bélgica de 2008. O finlandês, vencedor da etapa belga nos anos de 2004, 2005 e 2007, conquistara, para frustração de quem ainda apostava suas fichas no escandinavo, apenas a 4ª colocação no grid de largada. Hamilton tomou a pole. Massa, seu incansável adversário, seguiu em 2º.

Kimi pulou para a 3ª posição logo na largada, deixando a confusão para os carros do meio do pelotão. Em poucas voltas, já liderava, realizando boa manobra em Massa e aproveitando um erro de Hamilton.

O cenário remeteu muita gente ao desfecho do campeonato de 2007. Raikkonen fora criticado por não corresponder às expectativas, não conseguindo alcançar as McLaren. Na Bélgica, venceu de maneira incontestável e, de lá, recuperou 17 pontos para se sagrar o campeão da temporada.

Até a 42ª volta, Kimi Raikkonen voltava a calar seus críticos e convencer os ferraristas. Com os resultados, estava postado novamente na briga pelo título e podia dar seguimento à reação em Monza, logo na casa da Ferrari.

Porém, Spa prega suas peças. E Raikkonen foi a vítima da vez.

Hamilton, então o 2º colocado, encostou no finlandês. Era notável a falta da aderência do carro da Ferrari - mesmo que, vejam vocês, a chuva mal arremessava seus primeiros pingos. E, numa belíssima manobra, passou o finlandês. Os espectadores foram ao delírio (algo que é pouco comum ouvir da televisão em corridas de automobilismo).

Mas o pior ainda estava por vir. A chuva começou a apertar, ainda que timidamente, e fez com que Raikkonen fosse ao desespero. A maioria dos pilotos calçava os pneus duros da Bridgestone, que, em contato com o asfalto frio e molhado, escorregava com enorme facilidade.

Os carros vagavam pelo circuito de Spa-Francorchamps, com o único objetivo de completar a prova. Mas Raikkonen, após realizar uma excelente exibição, encontrou o muro. Pecado.

Ganhou, mas não levou

Pista livre para Lewis Hamilton alcançar seu quinto triunfo na temporada, certo? Errado. O britânico até cruzou a linha de chegada em primeiro, mas teve acrescido em seu tempo final de prova 25 segundos, por conta da polêmica manobra em Raikkonen, quando cortou a chicane Bus Stop e não devolveu a posição corretamente (na opinião dos comissários).

Sigo a opinião de Flavio Gomes, Luis Fernando Ramos e outras pessoas que defendem Hamilton. Onde a F-1 vai parar se ultrapassagens como esta forem intoleradas pelos comissários de prova? Hamilton apenas teve de cortar a chicane para evitar um acidente, como a maioria dos pilotos se favoreceu ao utilizar as áreas de escape e não foram punidos.

Lewis acabou completando a prova em terceiro, tendo Massa como vencedor e Nick Heidfeld em segundo.

Quem não arrisca, não petisca


O glorioso ditado acima ilustra da melhor maneira de como fizeram Nick Heidfeld e Fernando Alonso para melhorarem suas posições ao final da prova. Ambos optaram por um pit stop na última volta, colocando pneus intermediários, e se deram bem.

Heidfeld conquistou um pódio (o segundo seguido da BMW), enquanto Alonso finalizou a corrida em 4º. Tivessem tido a sacada uma volta antes, poderiam ter levado a vitória.

Por conta disso, e eu me frustrei, Sébastien Bourdais finalizou a corrida apenas na 7ª colocação, enquanto poderia ter dado à Toro Rosso seu primeiro pódio da história, desde os tempos de Minardi. Cabe agora ao francês mostrar a Franz Tost que sua marcante exibição na Bélgica não foi apenas um lampejo, como na Austrália.

Campeonato

Massa, que nada tem a ver com a confusão envolvendo a manobra de Hamilton sobre Raikkonen, agora tem apenas dois pontos de desvantagem sobre o inglês (76 x 74). Seu companheiro de equipe, Kimi, foi ultrapassado por Kubica (58 a 57) e praticamente deu adeus à luta pelo troféu. Heidfeld, embora bastante criticado, soma seu 4º pódio em 2008, junto com os 49 pontos na classificação.

Nos construtores, a ordem é: Ferrari (131), McLaren (119), BMW (107), Toyota (41) e Renault (36).

História

Idealizado em 1921 por Jules de Their e Henri Langlois Van Ophem, o circuito inicialmente possuía 13 quilômetros de extensão e utilizava estradas de outras cidades próximas. Spa sediou um Grande Prêmio pela primeira vez em 1924, ainda na época pré-F-1.

Vários acontecimentos ocorridos no circuito de Spa-Francorchamps entraram para a história da categoria, como é o caso do duelo entre Schumacher e Hill, em 1995. O alemão, utilizando pneus slick, fez mágica ao segurar o piloto da Williams, com compostos intermediários.

Benvenuti in Italia

Antes de partir, meus palpites para os três primeiros da corrida de Monza, que sedia o Grande Prêmio da Itália neste final de semana: Massa, Raikkonen e Kovalainen.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O mundo é uma roda

Adentramos ao mês de setembro. Chegou a hora de definição. Com raríssimas exceções (como a Fórmula São Paulo, onde o carioca Henrique Lambert já é campeão por antecipação), o esporte a motor aguarda ansiosamente o desfecho de diversos campeonatos pelo mundo - que, de fato, vêm protagonizando boas corridas em geral.

Fórmula 1: Entre gregos e troianos

Eu e meio paddock apostaram que a corrida nas agradáveis ruas de Valencia, Espanha, válida pelo GP da Europa, renderia bons desafios aos pilotos. Que nada. Em vitória incontestável de Felipe Massa, de ponta a ponta, a prova tornou-se a mais chata da temporada.

Lewis Hamilton, o ponteiro do campeonato tem uma vantagem considerável (70 a 64) sobre o brasileiro, o vice-líder. Eu, se fosse pra pôr meu dinheiro em jogo, arriscaria que o troféu fica com Felipe. Mas as constantes trapalhadas da Scuderia Ferrari podem tirar o título deste piloto que passa pela melhor fase de sua carreira.

Aproveitando a deixa, arrisco meus palpites para o GP da Bélgica, neste final de semana: Hamilton, Raikkonen e Massa. Se chover, esquece tudo e chama um pai-de-santo.

IndyCar Series: Scott I, o Imperador da América


A Fórmula Indy terá, neste final de semana, sua última etapa na temporada 2008 - que se encerra muito prematuramente, é fato. Embora Helio Castroneves tenha chances matemáticas de levar o campeonato, é provável que o neozelandês Scott Dixon se sagre bicampeão da categoria no speedway de Chicago.

Dixon foi dominante em toda a temporada, e soube aproveitar sua experiência para triunfar nos ovais (calcanhar de Aquiles das equipes oriundas da ChampCar): foram seis vitórias no ano, sendo cinco delas em ovais.

Enquanto os resultados na pista são previsíveis, fora delas, nos bastidores, ninguém é de ninguém. Para 2009, a Chip Ganassi terá a melhor combinação do grid, com Dixon e Dario Franchitti - este último, vindo de uma experiência mal-sucedida na Nascar. Dan Wheldon, dispensado do time, foi confirmado como piloto de Panther. Ele certamente merece mais que isso, embora muitos não concordem comigo.

Nascar Sprint Cup: E os playoffs vêm aí!

Após a corrida de Fontana, que teve como vencedor o piloto da Chevrolet Jimmie Johnson, as atenções da categoria norte-americana se voltam para a etapa de Richmond, no próximo domingo. Cinco pilotos já carimbaram suas participações nos playoffs (Kyle Busch, Carl Edwards, Jimmie Johnson, Dale Earnhardt Jr e Jeff Burton), restando ainda sete vagas.

MotoGP: A volta de Rolling Stoner?

Atual campeão da MotoGP, o australiano Casey Stoner caiu de sua Ducati novamente, desta vez, em Misano, no GP de San Marino. Foram três quedas nas últimas três corridas, que praticamente mataram suas chances de título e fizeram relembrar o ‘bom e velho’ Casey Stoner. Melhor para Valentino Rossi, que vem realizando uma temporada impecável e lidera com quase 100 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

GP2: Pantano quase lá


Restando apenas duas rodadas duplas para o término do certame, o italiano Giorgio Pantano abdica de uma vantagem sobre o segundo colocado, Bruno Senna, de 20 pontos. Ainda que, em Spa, próxima etapa, as chances de chuva são grandes (e isso favorece o Bruno), Pantano deve levar o troféu. Não é o piloto mais talentoso do grid, mas soube usar experiência e equipamento para chegar ao topo.

Mais talentoso do grid é o di Grassi, isso sim. O que ele fez nesta temporada foi fabuloso.

Fórmula 3: Em gestação


Abaixo, os líderes dos diversos campeonatos de Fórmula 3 espalhados pelo mundo.

Euro: Nico Hulkenberg (ALE).
Inglesa: Oliver Turvey (ING).
Japonesa: Carlo van Dam (HOL).
Espanhola: Nelson Panciatici (FRA).
Alemã: Frederic Vervisch (BEL).
Asiática: Frederic Vervisch (BEL, campeão).
Sul-Americana: Pedro Enrique (BRA).

SuperLeague Formula: Gol de placa


Meio às escondidas, iniciou-se no último fim de semana o campeonato da Superleague Formula, para surpresa de muita gente. O Beijing Guoan, quem diria, sagrou-se o campeão da etapa de Donington Park! Etapa que, aliás, contou com muitos abandonos - coisa de categoria nova. Mesmo que organizada às pressas, a SF deve se arrumar com o tempo. Torcemos para que ela cresça.

Copa Nextel Stock Car: Das trevas para a luz

A sentença que ilustra o título acima foi dita, de maneira exótica, por Valdeno Brito, piloto da Medley A. Mattheis, que pelo visto se exaltou demais após vencer a Corrida do 1 Milhão de Dólares (premiação recorde na história do automobilismo brasileiro), em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, domingo passado. A vitória da movimentada prova praticamente caiu no colo deste simpático paraibano quando viu Cacá Bueno, da Eurofarma RC, passar por problemas no câmbio do seu Mitsubishi Lancer.

Completaram o pódio Luciano Burti (Sky Action Power) e Marcos Gomes (também de Medley A. Mattheis). Gomes lidera o campeonato, com 126 pontos, seguido de Ricardo Mauricio (113). Thiago Camilo (85), Cacá Bueno (76) e Valdeno Brito (61).

Curiosidade: Valdeno Brito, assim como este que vos escreve, mora em Londrina. Vejo-o freqüentemente no Kartódromo.

Pode-se dizer que tenho um ‘amigo’ milionário.

Pitacos

* Se você ainda continua lendo esta coluna, agradeço.

* Phil Hill nos deixou no último dia 28. Único piloto campeão mundial nascido nos Estados Unidos, o ex-ferrarista faleceu vitimado pelo mal de Parkinson.

* Li na semana passada que a Texaco, tradicional e renomada petrolífera norte-americana, fechará suas atividades no automobilismo. A marca tornou-se bastante influente nos campeonatos da Nascar e da Indy, e inexplicavelmente, vai ignorar um envolvimento com o esporte desde 1913.

* Aconteceu aqui em Londrina, sábado e domingo passado, a primeira etapa da Copa Bancouros de Kart 2008, que contou com as categorias 13hp Rental, 13hp LG, Speed 135 A, Speed 135 B, Força Livre e Kart Cross. O evento foi bem bacana, e as corridas, melhores ainda. A próxima etapa do amigável certame será realizada nos dias 10 e 11 de outubro.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Por que não?

Reforço a tese dos companheiros Rafael Lopes e Alex Grünwald de que o automobilismo tem condições de se tornar um esporte olímpico. O argumento dos mais cautelosos (leia-se chatos) é de que no esporte a motor o homem não tem influência direta no resultado final, algo que pode ser derrubado por água abaixo em poucos fatos. O kart, realmente, seria a forma mais viável de este feito ser realizado. Pena que, acho eu, o meu Brasil dificilmente brigaria por medalhas...

Ponto de interrogação

A Fórmula Superliga, categoria onde pilotos representam clubes de futebol, terá sua etapa inicial nos próximos dias 30 e 31. Alguns times já confirmaram seus competidores, mas a falta de informações e detalhes sobre o campeonato aflige os fãs. Confira abaixo a lista dos pilotos já anunciados.

Milan - Robert Doornbos
PSV Eindhoven - Yelmer Buurman
Rangers - Ryal Dalziel
Roma - Enrico Toccacelo

Al Ain, Anderlecht, Basel, Beijing Guoan, Borussia Dourtmond, Corinthians, Flamengo, Galatasaray, Liverpool, Olympiacos, Porto, Sevilla e Tottenham ainda não definiram seus pilotos.

Pace

Ontem, dia 19 de agosto, completou-se 35 anos do primeiro pódio de José Carlos Pace na Fórmula 1, válido pelo GP da Áustria de 1973. Moco, como era seu apelido, faleceu menos de quatro anos depois, num acidente aéreo. Ainda era novo, possuía apenas uma vitória na categoria (GP do Brasil de 75) e, diziam os especialistas, poderia tornar-se um grande campeão. Cabe a nós, amantes da velocidade, lembrarmo-nos desta singela data com um belo vídeo.

Como está, fica

Foram poucas as surpresas no mercado de pilotos para a F-1 2009. Das equipes que já confirmaram seus pupilos, apenas a Red Bull (David Coulthard, futuro aposentado, pelo jovem Sebastien Vettel) realizou alguma mudança. Ferrari, McLaren, Toyota e Force Índia não farão mudanças. Como de praxe, este esforçado colunista cederá seus pitacos para o restante do grid.

BMW Sauber - Robert Kubica e Nick Heidfeld
Renault - Fernando Alonso e Nelsinho Piquet
Williams - Nico Rosberg e Kazuki Nakajima
Honda - Rubens Barrichello e Jenson Button
Toro Rosso - Takuma Sato e Bruno Senna

Se bem que, se meu nome fosse Flavio Briatore, eu trocaria Nelsinho Piquet por Lucas di Grassi. E tenho dito.

Anotem aí

Gostei do traçado montado nas ruas de Valencia, apesar de eu ser contrário àqueles cotovelos fechadíssimos característicos das pistas que o arquiteto Herman Tilke desenha. Promessa de corridão.

Palpite para os três primeiros: Massa, Kubica e Hamilton.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Direto do paddock

O texto de hoje inaugura uma nova sessão neste espaço. Sempre que o colunista comparecer a um evento automobilístico, qualquer que seja, o melhor do que for visto ‘in loco’ será contado no ‘Direto do Paddock’.

Pretendia acompanhar a etapa londrinense da badalada Fórmula Truck - disputada neste último final de semana - como o nome do artigo sugere, no paddock. Porém, descobri às vésperas da corrida que menores de 16 anos estavam proibidos de circular pelos boxes. Além disso, arrumar camarotes por aquelas bandas não é tão simples como na Stock Car.

A alternativa - muito boa, por sinal - foi me juntar ao pessoal do kartódromo de Londrina. Instalamos-nos na curva 4, que antecede a caixa d’água, mas não necessariamente numa arquibancada. Junto à churrasqueira, às bebidas e às cadeiras, uma simples e aconchegante tenda de cor vermelha sobre o chão de barro foi suficiente para receber os kartistas.

O clima de descontração e amizade pairava sobre o local. Ríamos das tentativas de subida do barranco feitas por muita gente, das peripécias de um cidadão comum tentando estacionar o carro e de outras coisas. Eu mesmo, por ser o caçula da galera, fui alvo de provocações e constrangimentos!

Alguns até nem prestavam tanta atenção nos caminhões, caso do Luizinho - o que não era o meu caso. Eu pelo menos segui a filosofia de honrar o preço do ingresso, mas confesso que não trocaria uma corrida de carros de turismo pela Fórmula Truck. O evento em si é grandioso, não se pode negar. Mas a minha decepção é pelo simples fato de que são veículos robustos como os caminhões disputando uma corrida, o que diminui a quantidade de emoção da prova.

No fim, deu Wellington Cirino (pude conhece-lo, é um cara legal) de ponta a ponta. Completando o pódio, dois VW, um Scania e um Ford, respectivamente: Valmir Benavides, Felipe Giaffone, Roberval Andrade e Djalma Fogaça. Geraldo Piquet, líder da temporada, completou na 16ª colocação.

Enfim, valeu pela bagunça, pela torcida pro Totti (piloto da Londrina Truck Racing) e pela experiência.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O miojinho virou macarrão

Não sei nem por onde começar. Vou guardar com boas lembranças o que se passou neste último domingo.

Subi no degrau mais alto do pódio com cuidado (vai que aquilo é bambo), mas esbanjando felicidade. Nunca havia passado por essa situação. Poucas vezes na minha vida tantas pessoas foram me cumprimentar, dizendo ‘parabéns’, ‘você foi muito bem’, e frases do gênero. Principalmente no kartódromo.

Embora o acontecimento em que cito no parágrafo acima seja um simples peguinha - não é nem corrida oficial - envolvendo karts de 13hp no interior do Paraná, tornei-me um dos caras mais alegres do mundo naquele momento.

A sorte começou a inclinar para o meu lado antes mesmo de começar a prova, quando tirei, no sorteio do grid, o papel da pole position. Gente pra me dar dica de quando tem que acelerar, como se dita o ritmo e coisas do tipo, não faltou.

Acabei partindo bem, principalmente pelo fato de alguns pilotos que vinham atrás de mim se embolarem logo na primeira curva. Consegui abrir bastante, tendo uma boa distância para ser administrada. Eu usava meu peso para contrabalancear o motor da maioria dos meus adversários.

Aí na 9ª volta, o ‘diretor de prova’ agitou a bandeira amarela. Era hora de diminuir o ritmo, para que todos se juntassem e começassem a se pegar novamente. Minha vantagem foi jogada por terra na relargada, quando o Aldo me passou já na curva um. Foi aí que o momento macumba começou. Na mesma volta, pobre Aldo, o líder rodou na saída do U e atravessou a pista. Por sorte, não houve nenhum acidente.

Voltei a assumir a ponta. Mas por pouco tempo. Ainda nesta derradeira volta, o Luizinho me passou no bacião, a curva que separa os homens dos meninos. Assustado, tentei fechá-lo. Em vão. Tocamos roda com roda, e eu ainda perdi a 2ª colocação pro Júlio.

Gesticulei o braço enlouquecidamente (como faço em boa parte da prova, nervoso do jeito que sou), pensando que o culpado no incidente fora o japonês. Mas aí, nessas horas, o negócio é ficar quieto e sentar a jaca. Consegui ultrapassar o Júlio na curva que antecede a reta dos boxes, numa manobra que o Marquinhos, nosso eterno mecânico, me ensinou.

Nisso o Luizinho já havia disparado. No entanto, para minha sorte (sempre ela!), o motor do kart 54 sofreu problemas e teve de abandonar. Então a liderança caiu no meu colo. Eu mal acreditava que estava a poucas voltas de cruzar a bandeirada em primeiro lugar. Fiz tanta besteira no fim da prova que até tomei uma dura dos meus mecânicos. Quase rodei sozinho em dois momentos e por pouco não me enrosquei com um retardatário.

A felicidade era imensa. O dedo em riste, ao completar a prova, indicava o triunfo. Para quem era motivo de chacota há pouco tempo atrás, tá bom demais.

A verdade é que o kart já marcou a minha vida. E isso é só o começo.

A pedidos

“André, põe lá no teu blog que hoje você tomou um coco do velho!”

“Pode deixar, Luizinho.”

Coisas do destino

O automobilismo completou, no último dia 26, 100 anos de Brasil.

Mas bem que podiam ter marcado o local da corrida em outro bairro...

Leiam no Blog do Ico e vocês vão me entender.

In loco!

A pacata Londrina já vive o clima da Fórmula Truck.

Novidades, bastidores e detalhes do evento, que será coberto por este colunista, já na próxima semana. Aguardem.

Palpites para o GP da Hungria de F-1

Vou ser rápido: Hamilton leva. Raikkonen e Massa completam o pódio.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A um passo do paraíso

Pude acompanhar às ótimas provas da GP2 Series neste final de semana, em Silverstone. A emoção das duas corridas - especialmente a de sábado - me empolgou tanto que resolvi falar um pouco de alguns pilotos deste certame que podem chegar (e bem) na F-1. Olho neles!

Giorgio Pantano - Italiano de 29 anos, Giorgio Pantano é sério candidato ao título da GP2 e vêm chamando a atenção de algumas equipes da F-1. Como Timo Glock, atual piloto da Toyoya, o competidor da Racing Engineering usa a experiência a seu favor. E com ela, sonha em voltar (já competiu pela Jordan, em 2004) ao tão sonhado campeonato de Bernie Ecclestone.

Bruno Senna - O sobrenome o ajudou a chegar até onde chegou, mas Bruno possui um talento nato. Ainda inexperiente, o sobrinho de Ayrton Senna sofre pela curta carreira no kart e se desdobra para recuperar o tempo perdido. É veloz, além de se garantir em pista molhada. Contudo, precisa ser mais constante, o que irá adquirir com o tempo. Boatos apontam BMW, Toro Rosso e Honda como prováveis destinos de Bruno.

Sebastien Buemi - Buemi é ainda muito jovem, mas já começa a desencantar. As atuações do suíço ao longo da temporada estão cada vez mais regulares. Como recompensa? A 3ª colocação no campeonato. Por ser apoiado pela Red Bull, é sabido que o piloto tem ligação com a equipe dos energéticos na F-1.

Lucas di Grassi - É um piloto técnico e frio. Costuma não se arriscar, sempre tendo em vista o campeonato no geral. O brasileiro, mesmo com o mérito de ter conquistado o vice-campeonato da GP2 em 2007, voltou à categoria neste ano (com seis etapas de atraso aos demais), e colhe excelentes resultados, despertando ainda mais a atenção da Renault.

Romain Grosjean - O francês aterrissou na categoria com toda a pompa de ser campeão da F-3 Euro e da GP2 Asia. Ainda é muito jovem, e a Renault (dona do seu passe) tem de ter muito cuidado para não queimá-lo, não só pela sua inexperiência, mas também por ser a grande esperança dos bávaros no automobilismo. Tem talento.

Álvaro Parente - Atual campeão da World Series (torneio que revelou nomes do naipe de Robert Kubica e Sebastian Vettel), Parente é a principal esperança portuguesa no esporte a motor. Venceu a etapa inicial, em Barcelona, o que lhe deu algum crédito. É um bom piloto. Só precisa ser mais focado para não cometer erros bobos.

Karun Chandhok - Assim como Buemi, o indiano também é um piloto patrocinado pela Red Bull, crédito que já começa a lhe abrir portas na F-1. Mas naturalmente a Force India é uma outra opção. Chandhok é um piloto bastante veloz, o que ficou evidente na prova de sábado em Silverstone, quando alcançou um respeitoso pódio.

Outras promessas: Pastor Maldonado, Mike Conway, Kamui Kobayashi, Luca Filippi, Adrian Vallés, Jerome D’Ambrosio, Javier Villa, Marko Asmer, Diego Nunes.

Rubens I, o Rei de Silverstone

Meu destaque do GP da Inglaterra fica para Rubens Barrichello. O brasileiro teve o mérito de escolher os pneus de chuva na hora certa, e aí foi só acelerar - coisa que ele sabe fazer muito bem com a água desabando. Barrichello alcançou um pódio histórico, um dos mais importantes de sua carreira.

Alvo de chacotas no Brasil, Rubens é muitíssimo elogiado lá fora. É fato que Barrichello tomou várias atitudes erradas em sua carreira (especialmente no extra-pista), mas isso não o torna pior. Dos brasileiros da F-1 atual, é o mais talentoso.

Obrigado

Só tenho a agradecer ao jornalista Victor Lopes e à Sercomtel, empresa de telefonia da região, pela reportagem feita com este mirim que vos escreve.

Observação: favor ignorar minha cara de pum na foto.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Le Mans

A edição de 2008 das 24 Horas de Le Mans teve como vencedor, surpreendentemente, um carro da Audi. Pelo segundo ano consecutivo, os leões da Peugeot investiram pesado para faturar a prova. Pilotos de currículo respeitado formavam a trinca gaulesa, além, é claro, do fantástico modelo 908 Hdi Flap Diesel.

Só que a Audi, no ápice de sua experiência, não arriscou - optando pelos pneus com ranhuras, enquanto a Peugeot apostou nos slick. Resultado? Nicolas Minassian rodou na chicane Dunlop e perdeu valioso tempo na busca pelo líder Tom Kristensen, companheiro de Rinaldo Capello e Allan McNish, que acabaram levando a batalha.

Mas o que eu quero contar neste dia, caro leitor, é sobre uma história interessante.

Meu tio, um cara apaixonado por automóvel, morou por alguns meses em Paris no ano de 2007. Como distância não era problema, ele aproveitou uma brecha para ‘dar um pulinho’ em Le Mans para conferir as 24 Horas. Seu objetivo era ficar na arquibancada e acompanhar parte da corrida. Mas o destino lhe reservava uma agradável surpresa.

O dono do imóvel alugado pela família do meu tio era o vice-presidente do Automobile Club D’Oest, organizador da corrida. Como gentileza, o nobre senhor o guiou, levando meu tio para todo canto do autódromo de Le Mans. Como a arquibancada dos boxes, a torre de cronometragem, a sala de imprensa, a sala de controle, o S da descida da chicane Dunlop até a curva da Mulsane...

Meu tio ainda destaca muita coisa: os restaurantes, lanchonetes, lojas de modelos, stands com carros de corrida, enfim, o ambiente do paddock. Mas, claro, a melhor parte foi a corrida. Nosso correspondente relata que a largada foi demais, com vários carros escapando para fora da pista.

E quanto aos carros? “Os Peugeot são silenciosos, parecem carrinhos de autorama. Mas tem um torque espetacular. Nos S, parece que estão sobre trilhos”, conta. Mas também rolou muita barulheira. “Os tratores americanos (Saleen, Corvete) só fazem barulho. Os Peugeot, silenciosos, piscavam o farol, tiravam de lado e até logo!”.

Meu tio acabou voltando ao autódromo em duas outras ocasiões, mas a experiência das 24 Horas, ele garante, é inesquecível. “Gostei pelo clima ímpar, pela dificuldade da corrida, que cria esse clima, além do glamour característico e único de Mans”.

Um dia chega a minha vez.

Pitacos

Depois de quase um mês sem atualizar a coluna, seria de bons tratos com o leitor revisar o que de melhor aconteceu no automobilismo durante este tempo.

* Não foi porque a vitória saiu de uma corrida atípica que Robert Kubica não almejava o topo do pódio da F-1. Há tempos o polonês merecia este triunfo, e mais vitórias deverão ser uma constante na carreira de Robert - principalmente a partir de 2009, quando Kubica estará mais preparado para brigar pelo campeonato.

* Para o GP da França, que acontece no próximo fim de semana, aposto minhas fichas em uma vitória ferrarista. Raikkonen tem mais tradição na pista de Magny-Cours, vencendo por lá no ano passado. Mas isso não influencia muito, já que Felipe Massa vem embalado de bons resultados.

* Uma notícia muito me chamou a atenção nas últimas semanas. Marko Asmer foi confirmado como piloto da FMS na GP2 Series, substituindo o talentoso Adam Carroll. Asmer fora campeão inglês de F-3 no ano passado, e já prestava serviços para a BMW, sendo o terceiro piloto da equipe bávara na F-1. Olho no estoniano.

* Também pela GP2, o pouco convincente Christian Bakkerud perde sua vaga na Super Nova para o espanhol Andy Soucek - que já conhece muito bem a categoria.

* Enquanto a Ferrari vai preparando os últimos detalhes do novo carro da A1GP, a organização da categoria confirmou o calendário oficial para a temporada 2008/9. Entre as mudanças, destaca-se a entrada de Mugello (Itália) e Algarve (Portugal), além de circuitos de rua na Indonésia e África do Sul. Algumas etapas ainda não foram anunciadas.

* Agora por bandas tupiniquins. A Pick-up Racing realizou a segunda etapa de seu campeonato no circuito de Santa Luzia, Belo Horizonte. Uma atitude interessante, já que o autódromo mineiro, embora pequeno, tem um traçado legalzinho.

* Dizem por aí que no último fim de semana de julho haverá aqui em Londrina uma corrida de kart em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil. Mais detalhes em breve.

* Se a tal da corrida for confirmada, eu prometo: trago um troféu pra casa.

* Antes que a chefia brigue, um vídeo hilário que traduz em nove minutos a tão tradicional Nascar. Confira aqui.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Vitória justa nas 500 Milhas

Scott Dixon venceu, com justiça, a edição de 2008 da Indy 500 - numa prova longa e tumultuada, embora nem tão emocionante. O fato é que em Indianápolis o neozelandês mostrou novamente a soberania não só da Ganassi, mas também dele mesmo. Dan Wheldon, seu companheiro de equipe, não é um mal piloto, mas Dixon tornou-se o líder da equipe.

Acabou com o meu dia

Ao ver a cena de Kimi Raikkonen balançando incontrolavelmente após o túnel, previ o pior. E eis que, em questão de segundos, o finlandês acerta em cheio o carro de Adrian Sutil, 4º colocado em um caótico Grande Prêmio de Mônaco, ao volante da Force India. O que é bom sempre tem um final, já diria a música.

Sobrinho de peixe...

Bruno Senna pode não ser o mais constante dos pilotos da GP2, mas parece que ele amadureceu bastante em 2008. Exemplo disso foi sua vitória nas ruas de Monte Carlo. Lembrou Ayrton, em seus melhores dias.

E dá-lhe pneu estourado

Pela Charlotte 600, a corrida mais longa da temporada da Nascar, Kasey Kahne venceu, mas não sem a colaboração dos pneus Goodyear. Kurt Busch, Tony Stewart e Dale Earnhardt Jr tiveram seus compostos furados, e com isso, o triunfo caiu no colo de Kahne.

Seedorf who?

O AC Milan anunciou sua nova contratação para a próxima temporada, só que não especificamente para o departamento de futebol. Robert Doornbos, holandês com passagens pela Fórmula 1 e pela ChampCar foi o primeiro piloto a ser confirmado na SuperLeague, a fórmula dos clubes de futebol.

Genérico na cabeça

Agora falando de terras tupiniquins: pela Stock Car, quem distribui as cartas, atualmente, são os carros da Medley. Marcos Gomes lidera o campeonato, logo seguido por Ricardo Mauricio. Mas a minha torcida sempre foi para Valdeno Brito, meu ídolo de infância (qualquer dia explico o motivo).

Rali em terras londrinenses

A Mitsubishi Cup Sudeste passou por Londrina, pela 3ª etapa do campeonato, nos dias 16 e 17. Eu até queria ir, mas os horários não eram dos mais favoráveis. Enfim, mesmo sendo um torneio amador, ouço falar muito bem deste campeonato. Que seja dado os devidos parabéns à Mitsubishi, servindo de exemplo para algumas outras montadoras.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Passando a limpo

Com o início da fase européia, é hora de ver quem é quem na Fórmula 1. Uma breve avaliação dos principais protagonistas da atual temporada.

Kimi Raikkonen - tá aí o favorito. Atual campeão, o finlandês já tem o troféu em suas mãos. Kimi está adequadamente adaptado à Ferrari, além de possuir nove pontos de distância sobre os demais concorrentes. É só administrar friamente a vantagem e correr pro abraço.

Lewis Hamilton - depositei - fui afobado, admito - minhas fichas em Hamilton, imaginando que o inglês já teria condições de liderar uma equipe e faturar o campeonato de 2008. Mas a fase não é boa, nem de Lewis, nem da McLaren.

Robert Kubica - aliado ao belo momento da BMW, Kubica vêm realizando uma ótima temporada. Nosso singelo polonês, porém, não terá fôlego para peitar as Ferrari. Mas anotem aí: Kubica vencerá pela primeira vez na Fórmula 1 ainda neste ano.

Felipe Massa - ou vai ou racha. 2008 é o ano decisivo da carreira de Felipe. A partir das próximas corridas, veremos se ele amadureceu o suficiente para tornar-se um campeão mundial. A superioridade da Ferrari é evidente, e o único rival direto do brasileiro é seu próprio companheiro de equipe.

Exemplo

Antes de encerrar o expediente, gostaria de comentar sobre um evento interessante.

A prefeitura de Nova Esperança, 130 km de Londrina-PR, realiza anualmente uma corrida de kart nas ruas do município - a Copa Conti de Kart. A idéia é interessantíssima, e aliada à organização e divulgação, traz ótimos resultados.

“Foi um sucesso. Um evento bem gostoso, com público de 10 mil pessoas”, contou-me o Luizinho, meu parceiro de kart, que se aventurou por aquelas terras. “O circuito não é dos mais seguros, mas valeu a pena”.

Em 2009 eu tô lá!

domingo, 20 de abril de 2008

Espécie em extinção

Em Curitiba, a presença das belas máquinas do GT3 Brasil ofuscou a gravíssima situação de um campeonato tradicional: a F-3 Sul-Americana.

Para um certame que já teve como campeões Leonel Friderich, Christian Fittipaldi, Cristiano da Matta, Ricardo Zonta e Nelsinho Piquet, o que se vê atualmente é o fundo do poço. Por vários motivos.

Na temporada de 2008, doze carros formam o grid de largada - e todos são de equipes e corredores brasileiros. É muito pouco. Nenhum piloto se interessa mais pela F-3, já que é uma categoria cara, dá pouco retorno na mídia e o aprendizado não é dos mais adequados. O chassis, por exemplo, foi fabricado em 2001.

E desde algum tempo atrás, a F-3 deixou de ser sul-americana. Todos os países latinos, com exceção do Brasil, abandonaram o certame sem mais nem menos. Será disputada um ou duas corridas fora de terras tupiniquins nesta temporada, para provar que ainda presenciamos um certame internacional. Que piada.

Temo, sinceramente, que a F-3 suma do mapa. Do jeito que está, este tradicional campeonato, que no passado viveu áureos momentos, caminha a passos largos rumo a inexistência.

Nessas horas, ninguém se preocupa. Cadê a Codasur? Cadê a CBA?

Sugestão ao sr. Bernie Ecclestone

Há alguns dias atrás, estive filosofando a nível de corrida e cheguei a conclusão que a F-1, em se tratando do evento em si, poderia ser mais atrativo.

E se, por exemplo, utilizassem a quinta-feira para pôr a molecada na pista? Um treino livre só com novatos, como na A1GP, que poderia render até alguma bonificação para o mais veloz. Seria interessante ver Romain Grosjean, Marko Asmer, Nico Hulkenberg, Luca Filippi e Sébastien Buemi duelando em um final de semana de Grand Prix.

A primeira vez de Danica

Finalmente, Danica Patrick floresceu. A Mulher Maravilha conquistou sua primeira vitória na Indy neste último domingo, em Motegi, quando menos apostavam nela. Não sei se Danica tem potencial para, algum dia, ser campeã, mas que ela possui talento (além de carisma), não podemos negar.

Segura o Pizzonia que eu quero ver!

Já na “segunda bateria” deste inusitado final de semana de IndyCar Series, Will Power, Franck Montagny e Mario Dominguez formaram o pódio da corrida de Long Beach.

E destaquemos a bem sucedida participação de Antonio Pizzonia, o 16º dos dezesseis que terminaram a prova.

Acabou

Durou pouco a primeira temporada da SpeedCar Series, o mais novo campeonato de carros de turismo do Oriente Médio. Em Dubai, última etapa da temporada, Johnny Herbert levou a melhor em uma disputada apertada, superando David Terrien, Uwe Alzen e Jean Alesi.

A criação da SpeedCar não é uma má idéia, como alguns pensam. Só acho que deveriam atrair mais carros e pilotos, além de prolongar o campeonato para o ano todo.

(Para não passar batido, vale deixar registrado que Romain Grosjean faturou a GP2 Asian sem grandes dificuldades.)

Ano novo, vida nova

Algumas novidades movimentam a Copa Nextel Stock Car em 2008, que já teve em Interlagos a sua etapa de abertura: prova de US$ 1 milhão, corrida de rua em Salvador, reabastecimento, transmissão ao vivo de todas as provas pela Rede Globo, Pick-up Racing... Enfim.

Só torço para que a Stock siga crescendo. Não tenho muita coisa a acrescentar.